quarta-feira, 7 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Lua nascendo em SP
Igor e Gata.
Acho que ela percebe que a companhia dele será breve.
Uma noite, eu estava em casa e notei que os dois estavam quietos demais. Eu sabia que o Igor estava dormindo do meu lado, como ele sempre faz quando eu to em casa. Ao lado da minha cama, no cantinho dele.
Pra minha surpresa, Gata estava dormindo ao seu lado, abraçada. Se contar ninguem acredita e graças a tecnologia mais avançada, registrei esse momento surreal.
No meio do banco tinha um cachorro...
Aeroporto de Guarulhos, SP, final da tarde - Eu tava chegando cansadão do voo e fui pro ponto do onibus da firma que me leva de Guarulhos pra Congonhas. De longe, vi várias pessoas sentadas no banco e um espaço aberto entre elas. Pensei: oba, vou ficar la sentado esperando o busão. Quando cheguei perto me deparei com esse cachorrão deitado, deliciosamente esparramado no banco e ninguem incomodava o cão e ninguem se incomodava com o cão. Tive que pedir licença pra ele, alegando que EU sim, estava mega cansado. Ele nem TCHUM pra mim e pro meu cansaço. O máximo que eu consegui foi o espaço da cabeça dele. E claro, abusado como só os vira-latas, ainda deitou a cabeça no meu colo. Eu adorei, claro.
As pessoas pensavam que ele era meu, tamanha a intimidade.
Depois fiquei sabendo que ele era nativo do aeroporto e ficava por lá.
Não resisti e claro. Click! Fotografei.
domingo, 4 de outubro de 2009
Mercedes, Qué poemas nuevos fuiste a buscar???
Um dia, ainda estudante da Faculdade de Arquitetura, buscando uma identidade musical, fui apresentado ao som dramático e forte de Mercedes Sosa.
Tinha tudo a ver, a época era da volta a normalidade democrática e nada mais tudo a ver que jovens estudantes de arquitetura, visionários e emocionados com a conquista da liberdade democrática, na politica, emfim... e todas as suas variantes.
E nesse contexto politico da época, surgem os lendários shows no RioCentro/RJ... os shows do Primeiro de Maio.
E num desses shows, cantavam Milton Nascimento e Mercedes Sosa.
Que mulher era aquela, com aquele bumbo, com aquelas roupas e cantando aquelas musicas que despertavam em nós, jovens, uma força descomunal que retumbava por toda uma America Latina desconhecida e nada democrática.
E aquela era a voz de Mercedes Sosa. A voz da America Latina.
Hoje ela nos deixou. Mas sua voz continuará ressoando como aquele bumbo que tocava forte nos nossos corações.
Escolhi essa musica, Alfonsina y el Mar...
Acho que foi uma boa escolha.
Mercedes Eterna!!! Mercedes Grande!!! Hoy asciendes dejando atras la perfumada estrela de tu incomparable manera de hacernos sentir y vibrar de emoción. Tu legado es tan patente como lo fué tu vida. Gracias al cielo por compartirte con nosotros. Feliz regreso al lugar donde siempre perteneciste!La verdad que doy gracias por haber esuchado su canto, "Negrita" nunca te iras de nosotros. Sos y seras el ícono del floklore argentino y americano.
Ya nadie va a cantar "Alfonsina..." como vos, negra. Tu ida no tendrá sustituto. Podrán venir en adelante otros excelentes cantores, pero tu voz será inigualable. Qué descances en paz, Mercedes.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Gata no cio de novo.
Dia lindo no rio de janeiro
shana tová umetucá! Feliz 5770!


O Rosh Hashaná é um dos dois Grandes Feriados da religião judaica; o outro é o Yom Kipur, que acontece 10 dias após o início do Rosh Hashaná. Estes dois feriados formam o período dos Grandes Feriados e, sem sombra de dúvida, é a época mais significativa do ano judaico, onde é dada aos homens a chance de arrepender-se de seus pecados e pedir perdão a Deus. Durante os Grandes Feriados, os judeus purificam as suas almas e têm a chance de recomeçar com a consciência limpa e com a intenção de serem melhores no ano que se inicia.
Então, Shana Tová!
"Leshana tova tekatev v'etachetem"!!!
terça-feira, 25 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
I want to be alone. Me deixem em paz.
Para poucos...
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Aeroporto

Andei meio preocupado com a finitude das coisas, do prazo de validade das nossas idéias, das irregularidades do nosso humor...
Outro dia, eu tava no D.O. do Aeroporto de Guarulhos, esperando a hora de me apresentar pra mais um voo... e fiquei alí, olhando pela janela (janela?) de onde eu estava.
E via aquela paisagem dos aviões parados, da movimentação na pista, dos passageiros desfilando inertes numa passarela rolante, de um terminal pro outro... olhei o céu azul que fazia naquela tarde.
Quantas vezes, nesses 23 anos de profissão, aquela cena passou diante dos meus olhos, sem que eu percebesse os detalhes de tudo o que estava ali. Quantas vezes aquilo tudo era tão natural e corriqueiro, que eu não percebí que tudo, invariavelmente tudo aquilo, ia fazer parte da minha história?
Eu cliquei esse momento, como se estivesse fazendo um pequeno índice da minha história - ou das minhas histórias.
Os sobrinhos
Esses almoços na verdade são boas desculpas que minha mãe usa pra juntar a galera toda.
E esse foi muito especial, por que estávamos todos juntos. O Guilherme veio dos Estados Unidos trazer o vestido de noiva da Fernanda e esticou alguns dias.
O Alexandre, que estava morando com o pai dele em Floripa, veio não só pra esse almoço mas para todos os outros que virão.
É uma delicia encontrar todo mundo. Assim como eu, todos na minha familia são contadores de histórias, e é hilário ouvir as histórias que todos tem pra contar. Cada um com a sua versão, cada um com o seu tom e o seu humor.
Hermanos
Um dia, a gente acorda e olha uma foto como essa. E percebe que o tempo passa de uma maneira sutíl, despercebida.
Olhar no espelho e investigar o aparecimento de algumas rugas e marcas de expressão... ser chamado de "experiente" no trabalho e sentir algumas dores nas "juntas" que antes nao tinham...
E ontem mesmo, o Guilherme quase nasceu no meu carro, na hora que a Mary tava indo pra maternidade... e claro, foi ontem mesmo que o Guilherme e o Gustavo ficavam brincando na minha casa, ou mesmo em volta da arvore de natal esperando pra abrir os presentes.
Foi ontem, que o mundo colocou na minha frente dois sobrinhos, de uma série de quatro... e que eles estariam me esperando, crescendo e olhando pra mim, procurando definir o que eles seriam quando crescer ou como eles seriam no futuro.
Ontem mesmo, fomos procurar um terreno em Guapimirim. E lá o Guilherme perguntou se a casa ia ter um quarto pra ele, o irmão e a mãe dele... claro né. somos uma familia.
Ontem o Gustavo, ainda pequeno, brincava no chão da casa da minha mãe e brigava com o guilherme por alguma bobagem importante.
Ontem, no jantar que eu fiz aqui em casa, eu esperei eles ficarem nessa mesma posição, pra poder tirar essa foto. Eu sabia que essa foto ia ser importante, nao me lembro por que.
Hoje eu sei por que.
Eles cresceram, estavam na minha casa como dois homens, dois cidadãos, que tem um futuro lindo pela frente, que buscam melhorar como seres humanos, trabalhando e principalmente, acreditando que não tem nada mais importante do que a familia.
Podem acreditar. Hoje de manhã eu acordei e me olhei no espelho e fiquei feliz de ter meus sobrinhos... Guilherme, Gustavo, Alexandre e Isabela, um pouco mais perto de mim.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Ventinho, o homem que gosta de vírgulas.
Ninguém, que não ele, seria capaz de entender os flamboyants. Um dia, tive o privilégio de ver o Wilson rodeando um flamboyant sem flores, mas muito muito antigo, como numa dança xamãnica, onde certamente invocava antigos ancestrais para um ritual mágico de transformação. As palavras de amor aquelas árvores seriam como parte de um ritual que só ele entende. E como se todas as árvores o obedecessem, para que fizessem parte do ritual, elas se abraçam e se tocam. E pedem beijos apaixonados... E é claro que como todo ritual, sons saíam do seu pisar macio, quase sem gravidade, espalhando restos de galhos quebrados e secos, que óbviamente seriam para nós observadores, apenas restos. Mas não pra ele. Seriam fragmentos de pura história que ninguém jamais contaria.
Confundem-se as estátuas de mármore italiano, roubadas do parque das águas, com a presença de Wilson. Olha vazio como se ali visse as estátuas que ninguem vê. E ele seria capaz também, dentre outras coisas, de descrever com detalhes as estátuas que ninguem vê, com a precisão da gramática.
E ainda como se fizesse parte do ritual secreto dos Wilsons, ele rodeia novamente os flamboyants e a eles pede permissão pra me contar a história daquele chão. Uma história que só ele, sábio que é, poderia contar.
Perto dali, ainda se ouvem outros passos. Dessa vez, no Palácio dos Ecos... Mas como ainda é mágica, são passos do menino-eólico que transformava a energia em vento, como o contrário dos contrários. E essa energia reverbera ainda, alí, guardada a segredo. Uma caixa de musica que toca passos reverberados na cúpula, ao invez de uma bailarina, um menino-eólico dança os primeiros passos do que seria seu ritual xamãnico, já prevendo um futuro brilhante entre vírgulas.
É bem provável, que quando deixamos aquele parque das águas, a velha fábrica abandonada voltasse a encher garrafinhas que seriam, num futuro muito distante, largadas alí mesmo, junto aos restos de flamboyants, por algum casal apaixonado. E se mesclariam aos gravetos, mas que fariam parte da historia toda contada...
é só pelo momento. só sei que a fábrica não estava abandonada. ela só parou aquele momento. em respeito ao menino-vento, que passou ali pra contar um pedacinho da história de um lugar lindo.
por que o único barulho que se ouviria naquele momento, era o seu coração como a minha canção favorita.
o resto é mar.
O Relógio da Casa da Minha Avó
Das lembranças todas da minha vida, acho que a melhor delas é a da copa da casa da minha avó... Gostava de chegar na casa dela e sentir aquele friozinho gostoso, uma sensação difícil de descrever...
Lembro da casa às vezes vazia, o relógio que hoje está na sala da casa da minha mãe, era o fundo musical daquela casa...
Em qualquer lugar da casa, se ouvia o barulho do relógio, o eco que fazia na copa. teto muito alto.... E o relógio lá, na parede, marcando a cadência do tempo... Talvez ele tivesse sido testemunha de tudo o que aconteceu naquela casa...
No quarto dos fundos, lá em cima, tinha uma janela grande, dessas de veneziana... De manhãzinha a luz que passava por ela faziam desenhos engraçados que eu imaginava formas e movimentos...
Essa janela dava para os fundos da casa... no quintal...
A casa de trás, vizinha, era a casa dos passarinhos. A gente deu esse nome por que o dono da casa tinha um viveiro enorme, maior que o mundo, cheio de passarinhos, de todas as cores e de todos os cantos...
Naquelas tardes, eu ficava sozinho na casa da minha avó, adorava ficar deitado na cama dela, olhando a janela aberta, a cortina de voal balançando, balançando... Os passarinhos me faziam companhia e o relógio.. ah, o relógio... pontuava cada segundo da minha vida...
Era como se ele quisesse me contar o futuro, que um dia, ele não ia estar mais lá.
Nem eu.
Um abraço e um beijo do meu avô
Um dia, meu avô me chamou no quarto dele... Eu tinha medo dele por que ele era muito alto, muito severo e usava uns óculos que aumentavam o olho dele...
Eu sentei na cama e ele me deu um livro, e disse que era pra eu ler nas minhas férias.
Eu fiquei segurando o livro com as duas mãos, e olhava pra capa, tão colorida e tão bonita... Era um livro do Monteiro Lobato... Reinações de Narizinho...
As páginas eram grossas mas as letras eram bem graúdas...
Ele sentou do meu lado, pegou o livro, e num gesto só seu, ele folheava as páginas como um especialista... E lambia a ponta dos dedos e olhava o livro como se fosse uma preciosidade.
E me mostrava, página por página, quanta coisa eu ia encontrar naquele livro... Quantas histórias eu ia descobrir naquele livro de folhas tão grossas, desenhos em preto e branco...
Eu jamais imaginaria que pudesse compartilhar desse momento tão especial com ele, sentado ali, naquela cama, naquele quarto... Parecia um ritual...
E ficava olhando pra ele, embevecido de ver aquele homem tão sisudo, tão distante, falando de coisas tão doces e tão importantes...
Pra falar a verdade, me senti muito importante naquele dia, fiquei bastante orgulhoso. Por que sabia que nem todo mundo tinha aquele livro que ele me deu.
Embora ele fosse um homem de poucas aproximações com os netos, eu sentia que naquele gesto, ele me abraçava e me beijava, coisa que ele nunca fazia.
Eu desci e fui pra sala onde ele guardava aqueles livros todos que ele mesmo encadernava... E fiquei imaginando ele lendo todos aqueles livros, daquela mesma maneira que ele me ensinou a ler todos os livros da minha vida.
Engraçado, nunca disse isso a ele...
Vô ! Adorei o livro.
Chuva

Chuva
Na sala de visitas, tinha uma janela engraçada, que na realidade eram três, em arco.... Era de ferro e vidro, como num vitral.
E como tinha uma grade do lado de fora, era delicioso sentar naquela janela, ficar apoiado na grade e ficar olhando as pessoas passando pra lá e pra cá.
Eu era bem pequeno e como morava num apartamento em Copacabana, essas experiências eram únicas pra mim.
Um dia, começou a chover forte, chuva de verão.Daquelas com vento, trovão e relâmpagos.
Eu corri pra tal janela e fiquei ali sentadinho, olhando aquela chuva toda, aqueles pingos grossos, que batiam com força nas plantas do jardim.
E ficava encantado com a água que caia do telhado, parecia que tinha uma torneirinha aberta lá em cima....
De repente, me deu uma vontade de participar dessa chuva toda, fazer parte mesmo, com tudo o que eu tinha direito...
E sai da janela e fui lá pro quintal....
Bem na frente do portão, na beirada da calçada, a água descia com tanta força, parecia uma cachoeira...
Meu primo que era pequeno também veio me acompanhar nessa aventura na chuva.
Minha mãe e minha avó olhavam pela janela do quarto lá em cima e viam a gente naquela brincadeira com a água da chuva.
Eu abria a mão e colocava o rosto pra cima, pra sentir aquelas gotas de chuva na minha cara.... Como eu precisava disso...
Elas achavam que eu tava brincando.
Sai da chuva, menino.. vai pegar um resfriado ! minha mãe gritou...
Não posso.... a chuva não deixa !
Eu falava sério. Elas riam, achavam que eu tava fazendo graça pra elas...
Não consigo mais pegar chuva sem colocar meu rosto pra cima.


