Hoje ela faria 109 anos.
Tenho uma saudade tão grande...

Um dia, a gente acorda e olha uma foto como essa. E percebe que o tempo passa de uma maneira sutíl, despercebida.
Olhar no espelho e investigar o aparecimento de algumas rugas e marcas de expressão... ser chamado de "experiente" no trabalho e sentir algumas dores nas "juntas" que antes nao tinham...
E ontem mesmo, o Guilherme quase nasceu no meu carro, na hora que a Mary tava indo pra maternidade... e claro, foi ontem mesmo que o Guilherme e o Gustavo ficavam brincando na minha casa, ou mesmo em volta da arvore de natal esperando pra abrir os presentes.
Foi ontem, que o mundo colocou na minha frente dois sobrinhos, de uma série de quatro... e que eles estariam me esperando, crescendo e olhando pra mim, procurando definir o que eles seriam quando crescer ou como eles seriam no futuro.
Ontem mesmo, fomos procurar um terreno em Guapimirim. E lá o Guilherme perguntou se a casa ia ter um quarto pra ele, o irmão e a mãe dele... claro né. somos uma familia.
Ontem o Gustavo, ainda pequeno, brincava no chão da casa da minha mãe e brigava com o guilherme por alguma bobagem importante.
Ontem, no jantar que eu fiz aqui em casa, eu esperei eles ficarem nessa mesma posição, pra poder tirar essa foto. Eu sabia que essa foto ia ser importante, nao me lembro por que.
Hoje eu sei por que.
Eles cresceram, estavam na minha casa como dois homens, dois cidadãos, que tem um futuro lindo pela frente, que buscam melhorar como seres humanos, trabalhando e principalmente, acreditando que não tem nada mais importante do que a familia.
Podem acreditar. Hoje de manhã eu acordei e me olhei no espelho e fiquei feliz de ter meus sobrinhos... Guilherme, Gustavo, Alexandre e Isabela, um pouco mais perto de mim.
Ninguém, que não ele, seria capaz de entender os flamboyants. Um dia, tive o privilégio de ver o Wilson rodeando um flamboyant sem flores, mas muito muito antigo, como numa dança xamãnica, onde certamente invocava antigos ancestrais para um ritual mágico de transformação. As palavras de amor aquelas árvores seriam como parte de um ritual que só ele entende. E como se todas as árvores o obedecessem, para que fizessem parte do ritual, elas se abraçam e se tocam. E pedem beijos apaixonados... E é claro que como todo ritual, sons saíam do seu pisar macio, quase sem gravidade, espalhando restos de galhos quebrados e secos, que óbviamente seriam para nós observadores, apenas restos. Mas não pra ele. Seriam fragmentos de pura história que ninguém jamais contaria.
Confundem-se as estátuas de mármore italiano, roubadas do parque das águas, com a presença de Wilson. Olha vazio como se ali visse as estátuas que ninguem vê. E ele seria capaz também, dentre outras coisas, de descrever com detalhes as estátuas que ninguem vê, com a precisão da gramática.
E ainda como se fizesse parte do ritual secreto dos Wilsons, ele rodeia novamente os flamboyants e a eles pede permissão pra me contar a história daquele chão. Uma história que só ele, sábio que é, poderia contar.
Perto dali, ainda se ouvem outros passos. Dessa vez, no Palácio dos Ecos... Mas como ainda é mágica, são passos do menino-eólico que transformava a energia em vento, como o contrário dos contrários. E essa energia reverbera ainda, alí, guardada a segredo. Uma caixa de musica que toca passos reverberados na cúpula, ao invez de uma bailarina, um menino-eólico dança os primeiros passos do que seria seu ritual xamãnico, já prevendo um futuro brilhante entre vírgulas.
É bem provável, que quando deixamos aquele parque das águas, a velha fábrica abandonada voltasse a encher garrafinhas que seriam, num futuro muito distante, largadas alí mesmo, junto aos restos de flamboyants, por algum casal apaixonado. E se mesclariam aos gravetos, mas que fariam parte da historia toda contada...
é só pelo momento. só sei que a fábrica não estava abandonada. ela só parou aquele momento. em respeito ao menino-vento, que passou ali pra contar um pedacinho da história de um lugar lindo.
por que o único barulho que se ouviria naquele momento, era o seu coração como a minha canção favorita.
o resto é mar.
Das lembranças todas da minha vida, acho que a melhor delas é a da copa da casa da minha avó... Gostava de chegar na casa dela e sentir aquele friozinho gostoso, uma sensação difícil de descrever...
Lembro da casa às vezes vazia, o relógio que hoje está na sala da casa da minha mãe, era o fundo musical daquela casa...
Em qualquer lugar da casa, se ouvia o barulho do relógio, o eco que fazia na copa. teto muito alto.... E o relógio lá, na parede, marcando a cadência do tempo... Talvez ele tivesse sido testemunha de tudo o que aconteceu naquela casa...
No quarto dos fundos, lá em cima, tinha uma janela grande, dessas de veneziana... De manhãzinha a luz que passava por ela faziam desenhos engraçados que eu imaginava formas e movimentos...
Essa janela dava para os fundos da casa... no quintal...
A casa de trás, vizinha, era a casa dos passarinhos. A gente deu esse nome por que o dono da casa tinha um viveiro enorme, maior que o mundo, cheio de passarinhos, de todas as cores e de todos os cantos...
Naquelas tardes, eu ficava sozinho na casa da minha avó, adorava ficar deitado na cama dela, olhando a janela aberta, a cortina de voal balançando, balançando... Os passarinhos me faziam companhia e o relógio.. ah, o relógio... pontuava cada segundo da minha vida...
Era como se ele quisesse me contar o futuro, que um dia, ele não ia estar mais lá.
Nem eu.

Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1417. Alí, depois da Faria Lima, segue em frente.... perto do supermercado... em direção a Av. Rebouças...
Assim começa essa história.
A casa era branca, de janelas azuis, portão de ferro que rangia um rangido que eu escuto até hoje. Aliás, a casa é tão viva dentro de mim, que eu consigo ouvir todos os seus sons. Tinha a porta de entrada, branca e pesada. Por essa porta, a gente entrava num hallzinho de tacos sintecados, tinha um aparador onde ficava o telefone, o espelho. E ainda tinha uma portinha secreta, em baixo da escada, onde meu avô guardava tudo o que não era pra gente mexer. Era um tesouro.
Duas portas levavam pra sala de visitas e pra sala de jantar. E tinha a escada... ah, a escada....
A escada era em curva, tinha um corrimão largo por onde a gente brincava de escorregar. Uma passadeira presa por ferrinhos de latão dourados e polidos. Eles faziam um barulho especial, um som oco do tapete e o clinck do ferrinho... anunciavam que alguem estava subindo. Ao longo das paredes da escada, alguns quadros pintados pelo meu avô, pelo meu tio... Uma clarabóia escondida no teto deixava passar a luz na escada... acho que só eu olhava pra clarabóia de vidro e imaginava como funcionava, de que era feita. Eu já era arquiteto aos 5 anos de idade.
A sala de visitas, ficava no lado esquerdo de quem entrava no hallzinho... o chão era de taco com um tapete em cima, uma estante com milhões de livros - a maioria encadernada pelo meu avô. Tinha um piano, dois sofás, uma mesinha de centro e uma vitrola antiga, que só meu avô sabia mexer.
A sala de jantar era onde tudo acontecia. Todas as decisões importantes, o café da manha farto, o almoço, o jantar.. os lanches e as canjas... alí a gente tambem devorava pães de queijos preparados pelas mãos gordinhas e brancas da minha avó. Ela preparava o pão de queijo com uma alquimia que só ela sabia fazer.
A copa era fria, teto alto, azulejos decoradinhos, armários brancos e tinha um relógio. Ah, o relógio... ele ficava em cima da porta e a gente ouvia o tic-tac dele o tempo todo. Os silêncios da casa eram quebrados pelo tic-tac do relogio... tic-tac-tic-tac... quantas insônias foram embaladas pelo tic-tac... os assaltos da geladeira, as conversas mais secretas, as broas de milho, o cheiro de café, tic-tac-tic-tac...
Em cima era a festa.. lá não tinha problema... eram risadas, brincadeiras, esconderijos, carrinhos, peão, brinquedos... o quarto da frente com aquele armário branco que parecia um muro.. era imenso... a cortina de voal, a janela de veneziana com aqueles buraquinhos que passavam a luz do dia, pra acordar a gente com carinho... as paredes era geladas no inverno... eu gostava tanto de ir pra casa da minha avó, que na hora de dormir, eu passava a mão no chapiscado da parede do quarto e dizia pra mim mesmo: - nao acredito que eu to aqui... não acredito! que bom! e dormia todo agasalhado, naqueles pijamas de bolinha que todos nós tinhamos, As camas ficavam no quarto do meio, onde tinham dois altares: uma estante com as imagens dos santos e a maquina de costura da minha avó. Tudo tinha uma textura e cheiros inesqueciveis...
Lá de cima se ouvia o tic-tac do relógio... o banheiro com aquela porta de aluminio que eu brincava de elevador... o quarto dos meus avos...
Lá em baixo tinha o jardim da frente, cheio de roseiras que meu avô cuidava.... um caminhozinho de pedras, grama pelo de urso... era uma floresta pros nossos tamanhos... como era grande o jardim... o quintal, o corredor da garagem, mais plantas, a garagem... a garagem era um santuário... os jornais velhos, panelas, milhões de coisas que quase nunca eram usadas.... mais um quintal, mais plantas, o tanque e a escada que ia pro quarto da Hélia, da Eva, e de outras tantas que a gente nao consegue lembrar... a gente fumava escondido lá no quarto delas. Elas ficavam brabas com a gente, mas fazer o que né.
Depois a casa começou a ficar menos fria, fricou mais quente... A Vivian casou lá, os velórios que eu não participei...
Na casa da minha avó, eu me angustiei com as provas de seleçao da Varig, fiquei feliz com a minha admissão na Varig, o curso... tudo foi alí.... A chegada do Alexandre, minha avó virou Bisa.
E não tinha mais o meu avô, depois não tinha mais a minha avó.
Hoje o relógio nao faz mais tic-tac. Mas eu ainda escuto. Tic, tac.
O portão nao range mais, mas eu ainda escuto. Ele range e bate. Eu ainda entro naquela copa, ainda sinto o cheiro da canja quentinha, escuto os passos da minha avó na escada, subindo devagar, um pé, o outro depois. Ouço minha tia Maria Lúcia subindo a escada com aquela violência decidida, passos fortes, faziam barulhos. Eu sinto a textura das paredes que me deixavam tão seguros, eu vejo o sol entrando pelos furinhos da janela...
Eu ainda vejo o meu avô e a minha avó na porta da frente, recepcionando a gente, despedindo da gente.
Eu ainda tô lá dentro.
E a casa nem existe mais.
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1417.
minhas melhores histórias foram aqui.
Vó, que saudade eu tenho de voce...
aí eu entrei na loja da tim pra saber se minha linha ainda estava fidelizada, por que eu queria fazer um upgrade do meu telefone e tal...
"- sua conta esta desfidelizada, o senhor ja pode trocar seu aparelho.... hummm.... que tal um Nokia N95 8GB ? sai de graça para o senhor...."
gostaram do brinquedinho ?
nada como DE GRAÇA pra fazer o diazinho da gente mais alegre.
Over the years, I've seen a pet on a passenger's lap, a pet tucked into a seatback pocket, and a pet loose in the aisle (I nearly hit one with my beverage cart). All of this is against federal regulations. People tell me how well-behaved their pet is, but they can't follow the rules themselves! Your pet must stay in its carrier while you're on the plane. Yes, even if you've paid a "pet-in-cabin" fee.
2. Shove your bag into the first bin you see and then walk to your seat in the back of the plane.You think you're clever, I know. You expect to grab your bag on your way out of the plane, but you're selfishly inconveniencing others. I can't lie and say we flight attendants don't take some small satisfaction when we tell you, "We couldn't identify the bag's owner, so we sent it to cargo." It's a security issue, for real. Carry-ons need to stay near their owners! So don't look so shocked when we say, "The signs will direct you to baggage claim. You can pick up your bag there."
3. Think that because you're on an airplane you're off-duty as a parent.Stop expecting us to have spare diapers, formula, medicine, toys, playing cards, or batteries for DVD players or Game Boys. It's an airplane, not a 7-11. Take your kid to the restroom before you board. Leave the dry cereal and Legos at home and bring snacks and toys for your kids that won't make a horrible mess.
4. Drag on an oversize bag that's too heavy for you to lift by yourself.I won't be compensated for any injuries I might sustain if I heft your bag into the overhead compartment for you. (And other passengers shouldn't have to step up and take the risk either.) The guideline is simple: You pack it, you stack it. Try this at home as a test (and this is to you ladies, especially): After you've packed your bag, put on the shoes you plan to wear on the plane and see if you can lift your bag and place it on top of your refrigerator. You can't? Pay the fee and check the bag.
5. Gripe that you haven't been seated in a roomy exit-row seat.The exit rows weren't created as a reward for people who are tall, overweight, or just plain nice. They were designed to help passengers get out of the plane in an emergency. The people seated in an exit row must be able to see and speak clearly, open the emergency door, and help others. I prefer to see uniformed military, firefighters, law-enforcement officers, or off-duty pilots and flight attendants sitting in those seats. While the gate agent may assign exit-row seats first, the flight attendant makes the final determination about who gets to sit in them. And the quality of our choices is one of the frequent concerns of Federal Aviation Administration officials when they audit airlines for safety practices. So please don't complain. I'm just doing my job.
6. Act like you don't know the meaning of the words "under the seat in front of you."Someday I will be muttering "under the seat in front of you" in the old-age home for flight attendants. What is it that you don't understand? To be clear, items should not be stowed behind your calves, under your feet like a footstool, in the open seat next to you, or in your lap. It's under the seat in front of you. And it applies to everything you carry on board. Items stored carelessly can trip others, or dislodge during takeoff and get lost, or inconvenience others. And while I'm on the topic: Please don't wrap your purse (or umbrella strap) around your ankle to keep from forgetting it. What will happen in an emergency, when every second counts and there's no time to disentangle yourself from your precious bag? Will you drag it ball-and-chain-style down the aisle of a burning plane?
7. Whine about the high price of flying.When I hear people complain about coach airfares, I know they're not keeping up with the news. Fares have rarely been cheaper. In recent years, it's not uncommon for you to be able to cross the continent for under $130 each way, with a maximum of one layover. It's a bargain! At that price, you're barely paying for the fuel to get your body there—never mind the cost of shipping your 50 pounds of gear. You're already on the gravy plane. People point to first class ticket holders and want to know why they don't get the same treatment. Wake up folks: You're getting a great deal. If you want even more, pay more!
(por Lucia Hippolito)
Muito nervoso, maltratando a língua portuguesa, o presidente do Senado, senador José Sarney, foi à tribuna para se defender das críticas, segundo ele, muito injustas, que não respeitam sua biografia.
Não convenceu. Listou vários fatos de sua biografia. Falou dos 50 anos de vida pública, misturou fatos ocorridos durante a ditadura com ações suas na presidência da República.
Eximiu-se de toda e qualquer responsabilidade pela desmoralização completa por que passa o Senado da República. Repetiu inúmeras vezes que a crise não é dele, é do Senado.
Lamento, mas o senador José Sarney é o maior responsável pela crise.
Não se trata de desmentir ou de apagar a biografia do nobre parlamentar. Longe disso. Quem reescrevia o passado eram os historiadores soviéticos. A história de José Sarney é bem conhecida.
O que há de mais curioso a ressaltar no discurso de quase meia hora é a total falta de compromisso de José Sarney com os últimos dez ou 15 anos da história do Senado. Sarney discursou como se tivesse chegado ontem à presidência da Casa.
Como se não estivesse presidindo o Senado pela terceira vez. Como se não fosse pessoalmente responsável pela criação de cerca de 50 das 181 diretorias recém-descobertas na Casa.
Como se não fosse pessoalmente responsável pela nomeação de Agaciel Maia como diretor-geral do Senado. Como se não tivesse legitimado uma série de atos de Agaciel Maia e do diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.
Não é trivial privatizar o Senado da forma como o Senador José Sarney o fez. Tinha até outro dia um neto e duas sobrinhas empregados. Recebia auxílio-moradia tendo residência particular em Brasília e tendo à sua disposição, desde fevereiro, a residência oficial do Senado.
Sua estrategista de campanha era também diretora do Senado. Exonerada para fazer campanha, teve a exoneação cancelada (tudo através de documentos sigilosos).
Sua casa em São Luis era protegida por seguranças do Senado... embora ele seja senador pelo Amapá.
Semana passada, sua Excelência foi padrinho de casamento da filha de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado. Que agora, depois de prestar relevantes serviços ao senador Sarney, está sendo jogado às feras. Pelo senador Sarney.
O senador José Sarney não tem direito de afirmar que a crise não é dele.
Quando tenta diluir a crise do Senado brasileiro na crise de representação mais geral, que acontece em muitos parlamentos do mundo, o senador tenta uma manobra esperta.
É verdade que há crise em outros países, mas lá os parlamentares renunciam, pedem desculpas públicas, devolvem o dinheiro desviado. Alguns até se matam.
Não se espera nenhuma atitude radical por parte do senador Sarney. Nem mesmo a renúncia à presidência do Senado virá por livre e espontânea vontade.
Mas o clima de rebelião entre os funcionários do Senado é evidente. A forte reação da opinião pública também.
Uma vez o senador José Sarney contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer um diagnóstico da situação do Senado e propor medidas. Deu certo. Nada aconteceu.
Desta vez, repetiu a manobra. Mas suspeito muito de que não vai funcionar.
Os tempos são outros, Excelência.